segunda-feira, 19 de março de 2012

Série de Contos - 24 / 11 / 2011.

Por: Fernandes.
Aqui sentado olhando as folhas presas nas árvores entendo o motivo pelo qual tudo aconteceu. Foi exatamente na noite que deveria ser. Minha criação foi muito boa, tive bom pai, por pouco tempo verdade, mas me proporcionou a vida dentro da minha mãe. Essa sim uma divina providencia ao mundo e principalmente a mim.
Perdi papai ainda menino, vitima da bebida, bem não exatamente de bebida, mas por causa dela sem dúvidas. Afinal não hesitava em nenhum momento o carteado no bar do seu Fabrício. Onde a briga ocorreu, sendo finalizada três dias depois na porta de casa com dezessete facadas nas costas. O umbral se fez largo a ele.
Mamãe tentava endireitar papai desde que se apaixonou, digo que ela se apaixonou por papai, afinal ele estava apaixonado por duas senhoras, uma de vida fácil e outra que era casada com seu primo.
Após a morte de papai, mamãe ficou ainda mais temente a Deus e não hesitava nenhum pouco em sair de casa e ir para a paróquia local, me deixando sob a tutela de minha irmã Margareti, que só fazia convidar seus namorados para conhecer o banheiro.
Como ficava sozinho na sala, passei a conhecer a vizinhança e acabei me tornando grande amigo de Bruno. Bruno era mais novo que eu quatro anos, no entanto isso não me atrapalhava já que aprendi com ele as lições de vida. Vim através de sua prima conhecer minha esposa Flávia, com quem tive quatro filhas e um filho caçula. Este acabou por ter a mesma sorte que tive órfão de Pai assassinado.
Entretanto hoje entendo que na verdade a encarnação é a escola certa para colocarmos em prática as filosofias oriundas do plano espiritual.
Aos meus dezesseis anos minha mãe se casou novamente, com isso meu padrasto nos colocou para trabalhar no comércio, onde tinha inúmeros amigos. Posteriormente quando já estava fixado e dando o resultado que o patrão queria, fui posto a rua por minha amada mãe, que após o falecimento do marido veio a viver comigo e minha família.
Tudo corria bem, quando havia conseguido tudo aquilo que almejei, pronto, através de um acaso desencarnei.
Meu menino completaria a idade de sete anos. Eu estava com o seu presente em minhas mãos, me choquei com o acontecido, afinal era a segunda vez que intercedia na briga marital entre Bruno e Ana.
Ana era minha “meia irmã”, pois era filha de papai e sua amante casada. Foi ela quem me bateu com o bastão exatamente na cabeça. Naquele momento onde ela e meu melhor, e verdadeiro amigo, pararam ambos sobre o meu corpo ainda vivo. Reforço e afirmo este trecho por ainda vê-los com os olhos que foram enterrados, então decidiram terminar precocemente com a minha trajetória, desestruturando meu lar e meus entes queridos.
Hoje deitado entendo o motivo de tudo, sim olhando as folhas compreendo que o Pai Maior decidiu pelo que era sensato e correto para todos nós.

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