Bem-te-vi! Foi a primeira frase que escutei hoje ao acordar
e não mais que automaticamente me atentei que eram 5:00 da manhã, muito estressado
virei pro lado e tentei dormir. O sono foi voltando e quando acordei às 9:00
percebi ter sonhado com algo, que a tempos atrás não daria a mínima, mas posso
dizer que este sonho vai mudar algo em mim. Serei breve em minha narrativa para
não torná-la cansativa.
Caminhava em uma estrada de terra molhada, com muita lama. A
estrada era cercada de uma vegetação densa e muito arborizada por sinal. Estava
carregando em uma das mãos, pendurado nas costas um saco de estopa, quase tão
sujo quanto a beirada das minhas calças.
O dia estava bem claro e olhei para o céu, tentando através do
sol entender para que direção a estrada me levava. Foi quando por cima da minha
cabeça percebi a sombra de um pássaro que até então não havia entendido, mas me
seguia.
Já cansado de caminhar resolvi recostar em uma das árvores
que beiravam a estrada. Ao me sentar e após respirar fundo, olhei para as copas
daquele ipê vermelho imenso que me sombreava e foi quando vi, desta vez, já bem
próximo, o pássaro que então percebi estar me seguindo. Era um Bem-te-vi e grande,
com seu belo peito amarelo, ele me esgueirava.
Não hesitei e tomei em minhas mãos uma pedra para
espantá-lo. Foi quando senti tocarem meu ombro esquerdo e uma voz mansa me dizendo:
“Calma rapazote, esta é apenas sua consciência...”.
Então fui logo argumentando sem titubear: O Senhor é quem
mesmo? Também estas me seguindo? E minha consciência caminha comigo a tempos,
não anda pendurada em galhos.
Sorriu e me respondeu calmamente: ”Responderei tudo o que me
perguntas, mas com o tempo jovem homem. Primeiramente precisas saber que sua consciência,
assim como a de tantos outros anda distante de suas cabeças. O mundo virou uma
ampulheta inversa onde vocês se preocupam em esvaziar os compartimentos e não
em enche-los.”
“Serei o nome que quiseres dar a mim, poderás me denominar
de ego, de vaidade, de insensatez e tantos outros adjetivos, na verdade vim te
mostrar que a consciência da humanidade sempre esteve e sempre estará acima de
suas cabeças.”
Então resolvi perguntar: Já que és tão sabido me diga, qual
o motivo que te trás a esta estrada cheia de barro para falar comigo, um
indivíduo cuja consciência voa acima de sua cabeça?
Com a mesma calma anterior disse: “Quando perambulei por
esta estrada alguém como eu, me parou e esclareceu exatamente o que te
esclareço agora. Nem um pouco diferente de ti, eu o argumentei e não tive compreensão
alguma do que me foi dito. Este indivíduo que me alertou ainda me alerta
atualmente, claro que com menos frequência e sobre coisas ainda muito mais
escondidas, que a consciência sobrevoando nossas mentes.”
“A maneira mais fácil de ser compreendido é compreendendo, a
fórmula de ser perdoado é perdoando. Só podemos ser ouvidos quando doamos
nossos ouvidos, crescemos quando alimentamos quem nos cerca.”
“Conseguirás vencer ao perceber que a tua consciência trabalha
para despertar a liberdade da consciência dos teus semelhantes que habitam esta
e inúmeras outras moradas do nosso Pai.”
Quando acordei às 9:00 com o canto do Bem-te-vi, rapidamente
abri a janela e então pude vê-lo, desta vez compreendendo o motivo de ter me
acordado com o seu canto.
Forte Abraço em todos e Saravá!
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Bem-te-vi: “O bem-te-vi (português
brasileiro) ou grande-kiskadi (português
europeu) é uma
ave passeriforme da família dos tiranídeos de nome científico Pitangus sulphuratus, que provêm de pitanga guassu, ou seja, pitanga
grande, forma pela qual os índios brasileiros tupi-guarani o chamavam; e do latim sulphuratus, pela cor amarela como enxofre no ventre da ave. A espécie é ainda conhecida
pelos índios como pituã,pitaguá ou puintaguá. Outras apelações
existentes são triste-vida, bentevi, bem-te-vi-verdadeiro,bem-te-vi-de-coria, tiuí, teuí, tic-tiui e siririca (somente
para fêmeas).” - Origem:Wikipédia, a enciclopédia livre.