domingo, 19 de agosto de 2012

Rio de Janeiro, 08 de Março de 2012.


Luz.
Era tudo escuro, o chão estava mole de tão pastoso por tanta umidade. O vento soprado não só arrepiava o corpo, como amortecia o espírito e enfraquecia a consciência. A voz dizia inicialmente longínqua e tremula, com o passar dos tempos foi se fortalecendo e trazendo conforto, aquecendo e acalentando o meu eu mais interno.
“... vamos irmão, tu podes, te ajudarei, venha comigo...”
Como poderia acreditar em uma voz que não via.
Até que decidi.
Se existe tamanha imensidão vazia, certamente que existirá outra proporção ocupada deste todo... foi exatamente neste momento que ouvi ao meu lado e desta vez nítido e forte.
“... pronto agora é a tua hora, venha comigo irmão!”
Deste momento em diante desfrutei da visão mais maravilhosa que já havia visto. O solo era fértil e verde, o som da água rolando moro abaixo era eterno, presenciei as maiores árvores que já havia visto, não só em altura, mas precisam de 12 de nós para que possamos abraçá-la por completo.
Os pássaros cantavam sem medo de serem encontrados, já as cigarras tiniam despreocupadas com os predadores. Fiquei extasiado com tudo aquilo que via, então indaguei:
Onde estou?
Fui respondido por um Senhor negro, grisalho e com o peito desnudo:
“Olá meu filho, demorou mas falou num é mesmo ... seja bem vindo a terra dos trabalhadores eternos, seja muito bem vindo a Aruanda.

Por: Dos Pés Vermelhos.